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Livros digitais, antes de qualquer coisa, são livros. Por isso, eles devem ser envolventes e apaixonantes, precisam ser estruturados a ponto de fazer com que o leitor mergulhe em sua história e dela faça parte. O bom livro deve ter personagens bem construídos e causar empatia no leitor, sob o risco de perdê-lo logo nas primeiras páginas. Assim também deve ser um bom livro digital. Mas além disso, o que mais ele precisa ter para que o leitor decida pela versão digital de uma obra literária?

Primeiro, é preciso ressaltar que o livro digital não é apenas mais um formato de livro. Há um enorme debate sobre se o livro digital representa uma ruptura com o clássico suporte dos livros, ou se ele apenas potencializou, em virtude da tecnologia, o poder de envolvimento do leitor com a obra.

Discussões à parte, é impossível negar que houve, pelo menos, uma quebra de paradigmas no modo como as pessoas interagem com os livros: a leitura linear deu lugar à leitura por níveis, em blocos com pedaços da história interligados por outros elementos que não necessariamente são palavras. No livro digital, outros elementos se combinam para que o enredo se construa e faça sentido.

É claro que nenhuma dessas características você conseguirá perceber nos famosos .PDFs. Eles replicam a experiência do impresso: são estáticos, lineares e permitem uma interação quase zero. Estamos falando de livros digitais interativos, uma nova maneira de conceber o livro pensando nas potencialidades que a tecnologia e o meio digital proporcionaram.

De forma mais simples possível, os livros digitais interativos devem causar a sensação de que você está navegando na internet, ou seja, usufruindo de todo o potencial que as mais novas tecnologias digitais têm proporcionado. É aí que entram os principais diferenciais de um bom livro digital, e conhecê-los também é muito importante para quem não sabe o que considerar na hora de comprar livro digital.

Interação em um bom livro digital

As tecnologias tiveram um papel fundamental na potencialização da interação dos objetos. Porém, autores que mergulharam nos estudos sobre a cultura da convergência digital, mostram que a interação também está relacionada ao interesse da sociedade em interagir. É por isso que acreditamos que há ainda uma resistência das editoras em se lançarem de cabeça na produção de livros digitais interativos: os leitores, apesar de estarem mergulhados em uma cultura cada vez mais digital, quando se trata de livros ainda está apegada ao papel.

Mas é importante ressaltar que interação não se trata apenas da possibilidade de aumentar o diminuir o tamanho das letras na tela ou ter um conteúdo responsivo às várias telas. Ela pode gerar conversas entre o leitor e o livro, pode permitir manipulação dos objetos presentes da obra (veja aqui um exemplo de obra que permite a manipulação de objetos durante a leitura) ou que os leitores explorem os espaços descritos no conteúdo. Mais ainda, essas interações devem fazer parte do enredo, ou seja, devem ser indispensáveis para a leitura e não apenas meramente ilustrativas.

A multimidialidade inerente à narrativa

O uso de imagens é comum nos livros impressos. São geralmente utilizados para dar a quebra na leitura e deixar o livro mais dinâmico, mas é raro ver livros em que a imagem também é parte do enredo, ou seja, a história ficaria incompleta sem ela presente. Quando a editora opta por utilizar uma mídia (foto) dentro de outra mídia (texto) ela está fazendo uso da multimidialidade. Mas se é para ocupar espaço, porque não utilizar essa característica de modo mais rico?

As tecnologias digitais também potencializaram a característica da multimidialidade, e os livros digitais interativos mergulharam nela. Porém, agora, elas passaram a ser utilizadas como partes inerentes das narrativas, sem as quais o enredo perde seu sentido. Imagens, vídeos, áudios, infográficos e outras mídias se juntam ao texto escrito para, juntas, construírem uma narrativa digital única.

O desafio das narrativas transmidiáticas

Este é um conceito pouco conhecido da grande maioria dos leitores brasileiros, inclusive aqueles já acostumados com os livros digitais. Narrativas transmídias são aquelas que são desenvolvidas em vários canais. Apesar disso, cada canal deve contribuir de forma distinta para a compreensão do universo narrativo.

Em cada canal, a narrativa pode ganhar novos personagens, novas histórias e novos conflitos, e o formato utilizado para transmitir esta parte do enredo pode ser diferente daquele canal onde a narrativa iniciou. O leitor pode ser convidado a interagir de maneira diferente em cada canal e a lidar com uma nova mídia. Na prática, um bom livro digital, que usa bem essa característica é capaz de fazer com que você comece a leitura em seu aplicativo de leitura de livros digitais e termine-a em uma música disponível no Spotify ou na tela de cinema da sua cidade.

Você já leu algum livro com alguma dessas características ou com todas elas? Conta pra gente como foi sua experiência.

 

Categorias: livros

Kleiton Reis

Jornalista que se encontrou no marketing, apaixonado pelas mídias digitais e que acredita que a tecnologia vai ajudar a mudar o mundo.

1 comentário

ePub: um guia básico para o design de livros digitais – Designlyn · 8 de dezembro de 2016 às 13:11

[…] o blog da Barbohouse – editora de livros digitais –  e também pode dar uma olhada nos artigos que o Bruno já escreveu sobre o tema. E você também conferir o site da International Digital […]

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