Bate-papo com alunos sugere cinco temáticas imperdíveis

Nossa última aventura foi na cidade de Bragança, uma das mais antigas do Pará. A Pérola do Caeté, como também é chamada, completou 403 anos no dia 08 de julho de 2016. É conhecida por suas belezas naturais, pela arquitetura histórica e por uma rica cultura local. Além disso, a cidade possui várias praias, igarapés e ilhas que movimentam o turismo na região.

Mas o nosso objetivo em ir para Bragança foi realizar um bate-papo literário com crianças e adolescentes, com o tema “Criando o hábito de leitura na era digital”, ou seja, como as redes sociais e outros recursos da internet podem cultivar esse hábito.

Conheça os principais pontos debatidos

1. O que significa ser leitor? Quantos livros, em média, um brasileiro lê por ano?

Segundo o Instituto Pró-Livro (2016), leitor é aquele que leu pelo menos um livro nos últimos 3 meses (todo ou em partes). Sabemos que os jovens em sala de aula têm mais contato com leitura, portanto, estão dentro dos 56% dos brasileiros que lêem livros ou revistas.

2. Youtubers estão entre os autores mais lidos no Brasil

Na lista dos dez livros mais vendidos no Brasil (Nielsen), em sexto lugar temos Muito Mais Que Cinco Minutos (Kéfera) e em nono Eu Fico Loko (Christian Figueiredo). Entender esse fenômeno vai além que julgar a produção de conteúdo desses youtubers, mas valorizar o empoderamento dos jovens nas redes sociais. 

3. O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

A leitura fica em 10º lugar quando o assunto é o que o povo brasileiro gosta de fazer no seu tempo livre. O uso do aplicativo Whatsapp está na frente da leitura, bem como as redes sociais.

4. O mundo “real” e o “virtual”

O meio digital é instigante porque nele nós somos quem quisermos, parecemos o que desejarmos. E, por isso, é um ambiente propício para a criação de narrativas. Hoje, todos nós participamos de narrativas, por exemplo, em jogos eletrônicos, em vídeos e nas redes sociais. Nós sabemos que personagens não existem de verdade, por outro lado, temos sentimentos reais em relação a eles.

5. Redes sociais como mediadoras da leitura

Se as novas tecnologias estão tirando a atenção dos alunos, por que não trazê-las para a sala de aula e utilizá-las como elementos mediadores da educação?

 

Nossa presença foi pauta em alguns meios de comunicação da cidade. Ouça a entrevista concedida para Rádio Educadora FM:

Resultados

Ao todo, visitamos as escolas públicas E.E.E.F.M. Padre Luiz Gonzaga e E.E.E.F.M. Prof. Bolivar Bordallo da Silva. Também realizamos uma palestra na Faculdade de Bragança (Fabra), sobre o mesmo assunto.

O bate-papo foi muito proveitoso, pois entendemos que os alunos, embora estejam mais interessados nas redes sociais e na internet, também têm mantido contato com o universo das narrativas, a partir de jogos, gibis e HQs.

Achamos importante aplicar um quiz, com o qual os alunos descobriram os gêneros literários com que mais se identificavam. Os resultados, de fato, foram compatíveis ao interesse deles e ainda sugerimos alguns livros para que eles lessem, baseados nesses gêneros. E não terminou por aí, pois propomos um desafio a eles: ler 50 livros em um ano. Perguntamos se era possível fazer isso e os alunos, surpreendentemente, responderam que sim, bastava tornar a leitura uma prática diária na vida. Sendo assim, entregamos uma lista de 50 temáticas e o desafio consistia deles lerem um livro para cada uma delas.

Claro que todo desafio tem uma recompensa no final, portanto, convidamos os alunos para que gravassem um vídeo-resenha sobre cada livro que lessem (um vídeo simples, sem grandes pirotecnicas), publicassem no Youtube e enviassem o link para nosso e-mail. A ideia é publicarmos esses vídeos em nosso blog!

Ao final da nossa participação, vários jovens nos procuraram para tirar selfies, contudo, principalmente para sanar dúvidas (“é difícil escrever um livro?”, “como posso publicar meus poemas?”) e inclusive queriam saber mais sobre o trabalho da Barbohouse. Ficamos felizes em cumprir nosso papel de despertar o interesse deles no universo da literatura.

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A gente percebeu, também, que os alunos não estão lendo apenas os livros obrigatórios da sala de aula, mas buscam outras obras que interessam a eles. Assim, o hábito de leitura é moldado por eles mesmos e acabam desenvolvendo um senso crítico em relação aos livros que leram antes e aos novos que adquirirem futuramente.

 

 


Bruno Rodrigues

nasceu em Belém do Pará em 1989. É formado em publicidade (UFPA) e mestre em Design de Hipermídia (UFSC). Quando criança, leu muitas HQs e sonhava em ser desenhista. Aos 15 anos resolveu ser escritor. Em 2010 auto publicou seu primeiro romance da série Barbolandia. Fundou a Editora Barbohouse com intuito de publicar histórias de autores estreantes. Trabalha para tornar os livros digitais mais populares e que gerem impacto positivo na vida das pessoas.

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