Educação vem de casa, é o que diz o ditado. Mas os pais, cada vez com menos tempo, conseguem incentivar seus filhos a lerem? Seria obrigação da escola criar o hábito de ler?

Existem várias visões a respeito do assunto. O professor Ezequiel Theodoro da Silva, doutor em Psicologia da Educação, afirma que “a escola, através do processo de alfabetização e de dinâmicas de letramento, é a principal agência responsável pelo adentramento – e talvez permanência – das pessoas no mundo da escrita”.

Cabe ressaltar que as práticas escolarizadas de leitura possibilitam a formação de redes diversas de interação com os livros. Isso ocorre através das relações professor-aluno, aluno-aluno, bibliotecário-aluno, professor-bibliotecário-aluno etc. Essas redes potencializam o hábito de ler livros.

A qualidade da educação, contudo, precisa ser muito melhorada, afirma o professor. Desde 2001 foi investido muito dinheiro na aquisição de livros para distribuição gratuita. Porém, não surgiram indicadores de mudanças substantivas na qualidade da educação escolarizada e, consequentemente, dos índices de leitura.

É comum encontramos estudantes que preferem assistir televisão e acessar as redes sociais em seu tempo livre. Claro que ninguém é obrigado a fazer leituras. Mas é decepcionante, sobretudo, quando um professor ouve um aluno dizer que não gosta de ler.

 

O papel de cada um 

Embora a escola tenha papel importante, a quarta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (ano base 2015) constata que o hábito de ler dos pais tem forte influência na construção do hábito de leitura dos filhos.

A pesquisa aponta ainda que a figura da mãe (ou responsável do sexo feminino) é muito importante, especialmente quando se comparada à influência do pai ou de algum parente. Em segundo lugar vêm os professores.

Mas a lógica se inverte nas faixas etárias correspondentes aos ciclos da escolarização básica (Ensino Fundamental e Médio), onde as “dicas de professores” são mais influentes para aqueles que estão entre 5 a 10 anos de idade.

Em paralelo, o hábito de ler é menor nas faixas etárias que não estão mais em período escolar. Ou seja, os adultos leem menos e existem duas razões para este fenômeno: a maioria está sem tempo ou não tem interesse pelos livros.

Sendo assim, como esperar que o jovem tenha encorajamento para ler livros no ambiente domiciliar?

A boa notícia é que os dados obtidos no estudo também revelam um crescimento no número de pessoas que leem por gosto ou por interesse pessoal. O público infanto-juvenil afirma que não houve influência de ninguém em especial para ler livros, seja na escola ou em casa. Isso quer dizer que o gosto pela literatura e o hábito de ler surgem a partir de experiências autônomas do jovem com obras literárias. Nesse sentido, cabe à instituição de ensino e à família criar um ambiente propício para reforçar e estimular a prática de leitura no dia-a-dia das crianças e adolescentes.

Você concorda com os dados dessa pesquisa? Deixe seu comentário abaixo.

 

 

Categorias: Leitura

Bruno Rodrigues

nasceu em Belém do Pará em 1989. É formado em publicidade (UFPA) e mestre em Design de Hipermídia (UFSC). Quando criança, leu muitas HQs e sonhava em ser desenhista. Aos 15 anos resolveu ser escritor. Em 2010 auto publicou seu primeiro romance da série Barbolandia. Fundou a Editora Barbohouse com intuito de publicar histórias de autores estreantes. Trabalha para tornar os livros digitais mais populares e que gerem impacto positivo na vida das pessoas.

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