A série Barbolandia teve suas primeiras ilustrações feitas por dois talentosos ilustradores, um de Belém do Pará e outro de São Paulo. Baseados nos rabiscos do autor, eles deram forma aos personagens do País dos Sonhos. A convite da Editora Barbohouse, Rhodrigo Maia e +Andre Santos responderam algumas perguntas sobre trabalho, planos futuros e de como foi ilustrar a série Barbolandia.

Ilustrador Rhodrigo MaiaRhodrigo Maia é ilustrador, designer e mora em Belém do Pará. É formado em Comunicação Social – habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Maia fez as ilustrações do livro Barbolandia: A Fuga do Herdeiro.

 

Ilustrador André SantosAndré Santos tem 27 anos e é guaratinguetaense (SP). Ilustrador, abriu o estúdio Arte Ácida, em 2011, com a parceira Yasmin Ayumi. Recentemente, Santos fez as ilustrações da publicação Barbolandia para Crianças.

 

Carreira

Barbohouse: Primeiramente gostaríamos de agradecer por seu tempo e pela oportunidade de fazer essa entrevista para a Barbohouse. Nos fale mais sobre seu trabalho em arte e design e o que fez/faz para se tornar um ilustrador e designer.

R.M: Eu também agradeço ao convite. Bom, por mais que eu desenhe desde a minha infância, somente há pouco mais de três anos eu iniciei um processo de aprimoramento da estética das minhas ilustrações, e o contato com o design gráfico foi fundamental para isso, pois aprendi a combinar melhor as formas, cores e conceitos. Nunca cheguei a fazer algum tipo de curso de design gráfico ou ilustração (não por falta de vontade, mas de oportunidade), mas aprendi muito com livros, revistas e sites especializados. O segredo é ficar observando e testando.

A.S: O prazer é todo meu, Bruno. Foi muito legal dar forma à sua ideia original e espero que tenha cumprido bem o meu trabalho. O Arte Ácida é um estúdio de ilustração criado em 2011 em parceria com a minha companheira, Yasmin Ayumi. Nós já trabalhávamos juntos em São Paulo, mas tivemos que nos mudar para uma cidade menor, onde acabamos adotando um nome para nos representar. Nessa época, participamos em vários eventos com caricaturas, o que ainda constitui boa parte das encomendas pelo site, no entanto, o foco vem mudando desde o último ano. Apesar de eu também manter clientes fora do estúdio como freelancer, meu trabalho dentro dele é cuidar das encomendas, me certificando sempre de manter tudo organizado e as entregas dentro do prazo.

Reconhecimento

Barbohouse: Quais foram os trabalhos e em quais eventos eles ganharam premiações e reconhecimentos?

R.M: Bom, antes de ser designer e ilustrador, eu era cartunista e participei de vários festivais de humor gráfico, e com isso tive algumas charges e cartuns premiados nacional e internacionalmente. Já com as ilustrações, tenho me dedicado mais a criar estampas para camisetas, e já tive estampas à venda em sites especializados, como o Camiseteria.com. E recentemente, no Threadless.com dos Estados Unidos. E isto é importante para um artista ganhar reconhecimento.

Ilustração de Rhodrigo Maia

Ilustração de Rhodrigo Maia - Coelho Branco

A.S: Como o estúdio ainda é muito novo, posso afirmar que nosso trabalho de maior destaque foi durante a tradicional Festa das Flores e Morangos da cidade de Atibaia, na qual participamos por dois anos consecutivos. Conhecemos grande parte dos nossos clientes lá e fizemos bons amigos também. Foram dias bastante felizes.

Inspiração e criação

Barbohouse: De onde veio sua inspiração para ilustrar o livro “Barbolandia: A Fuga do Herdeiro”?

R.M: O próprio livro funciona como inspiração. Fiz algumas anotações sobre a impressão que tive ao ler a história e observei os rascunhos feitos pelo próprio Bruno (autor). O legal é que desde o início ocorreu uma sintonia, a maneira como eu imaginava os personagens era muito próxima daquilo que o Bruno queria.

Barbohouse: Você poderia descrever qual o processo de criação de uma ilustração?

R.M: A ilustração, assim como outras obras artísticas, nasce com uma ideia. E essa ideia pode ser alcançada de um segundo para o outro com um insight criativo, ou após horas queimando neurônios. Depois eu busco algumas referências visuais na internet, faço alguns rascunhos, estudos de cores e vou construindo até chegar onde quero.

A.S: Estou certo de que cada artista tem seus rituais. Os meus partem sempre de uma certa neurose: as etapas do trabalho seguem uma ordem linear e, se fugir disso, eu me confundo todo! Tenho trabalhado para melhorar isso e ficar mais flexível, o que é importante ao se trabalhar com arte. Com caricaturas, o conceito vem do cliente e das fotos. Ajuda bastante perguntar sobre sua personalidade e gostos pessoais. O ideal é que a arte fique agradável. Se o cliente quer algo engraçado, evitamos que o resultado fique, de alguma forma, ofensivo. Cada etapa é aprovada antes de seguir adiante. No caso de uma ilustração, o ideal é contar alguma coisa ou transmitir uma ideia de forma visual. Procuro saber o máximo possível sobre o assunto a ser tratado, ou pelo menos o suficiente para ficar visualmente agradável. Consulto várias imagens de referência em arquivos pessoais ou na internet e tudo começa a  tomar forma nos rascunhos. Depois, preciso escolher a melhor forma de finalizar a imagem e a qualidade do resultado final sempre acaba dependendo do tempo gasto no refinamento dos traços e das cores.

Ilustração de André Santos Ilustração de André Santos

Barbohouse: Quais são suas ferramentas de trabalho, em termos de hardware e software?

R.M: Eu acredito na importância de agregar o artesanal com o tecnológico. Sempre inicio com um rascunho, por isso digo que uma folha de papel e um lápis são meus hardwares indispensáveis. Depois escaneio o rascunho, e usando o Photoshop e uma mesa digitalizadora eu consigo desenvolver quase todo o trabalho. Para projetos vetoriais utilizo o Adobe Illustrator.

A.S: Basicamente uso uma lapiseira 0.5mm e grafite 2B, a mesma que uso em eventos. Meu scanner é o de uma multifuncional, acho importante que ele capture bem os tons de cinza do grafite. Para finalizar os desenhos, uso uma Wacom Bamboo já antiga. Dependendo do humor, às vezes uso caneta, qualquer uma de traço firme. Para a edição e colorização gosto de usar o Photoshop CS5 alternando com o Paint tool SAI.

Desafios e projetos dos ilustradores

Barbohouse: Na sua opinião, quais são os prós e contras ao trabalhar com ilustração?

A.S: Uma coisa ótima dessa profissão é que a inspiração está em todo lugar. Por outro lado, é bastante frequente eu terminar um trabalho, gostar dele na hora e, logo em seguida, achá-lo ruim.

Barbohouse: Quais são seus projetos futuros?

R.M: Bom, um deles é continuar desenvolvendo ilustrações que funcionem como estampas de camisetas, gosto muito de ver a camiseta se comportando como uma mídia de comunicação. E outro projeto é investir em ilustrações editoriais. Livro é uma de minhas paixões, e ter participado do livro Barbolandia foi muito prazeroso, principalmente por lidar com o público infanto-juvenil.

A.S: De uns tempos para cá estou namorando o mercado editorial, que é uma coisa nova para mim. Tenho alguns projetos em andamento e creio que meus próximos passos seguirão nessa direção. Estou estudando bastante o assunto para não fazer feio na estréia.

Barbohouse: Mais uma vez agradecemos pela sua entrevista. Para encerrar, você tem alguma dica para quem está começando a carreira de ilustrador ou deseja ter seu próprio negócio?

R.M: Algo importante é, sempre que possível, desenhar aquilo que você gosta. Em meus projetos, por exemplo, é comum a presença de temas relacionados à música, humor e cultura pop. Isso faz o trabalho ficar mais prazeroso e com a nossa cara. E como eu disse antes, se tiver oportunidade, faça cursos, leia livros e revistas sobre o assunto. Faça amizade com outros artistas, informe-se sobre o mercado onde quer atuar, busque conhecer a cultura local e mundial, conheça outros lugares, pratique exercícios regularmente e seja uma pessoa legal. E quem souber de mais alguma dica, por favor, me envie porque eu também ainda estou começando!

A.S: Você só tem essa vida para fazer alguma coisa direito – escolha o que você ama. Você só vai ser bom em alguma coisa se praticar muito, com dedicação, então não adianta ter pressa. Estude o assunto, busque inspiração em quem deu certo nessa área e siga em frente. Dê as caras, pergunte quando não souber e faça amigos. Seu networking deve começar agora mesmo!

Saiba mais

https://www.behance.net/rhodrigo

http://www.camiseteria.com/profile.aspx?usr=rodrigomaia

about.me/o_oandresantos

(Esta entrevista foi realizada em maio de 2013).


Kleiton Reis

Jornalista que se encontrou no marketing, apaixonado pelas mídias digitais e que acredita que a tecnologia vai ajudar a mudar o mundo.

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