Uma das coisas encantadoras que nos traz o Natal são esses lindos livrinhos para crianças, que se constituem de capas bem azuis com floquinhos brilhantes e outros motivos natalinos a la Dickens e comerciais antigos da Coca-cola. Casas aconchegantes, lareiras enfeitadas com meias, a própria árvore de natal, os presentes, a ceia… e não se pode esquecer do tom sentimental, do perdão, da reconciliação, da paz mundial, representados por personagens felizes demais. É quase crível vê-los cantando “Let it go!”, daquele filme que não citaremos o nome, mas que nos faz quebrar brincar na neve, e um boneco querer fazer.

De fato, os países de tradição cristã dão grande importância a esse acontecimento (a natividade de Jesus é um marco que justifica o cristianismo) e, por isso, geraram diversas formas para representá-lo. Essas representações vieram também na literatura, canções, cantigas, odes, poemas, autos, peças, trovas etc. – como em Portugal, por exemplo – que tematizavam a relação homem–divino. Também surgiram tradições e lendas de cada país, inclusive envolvendo a temática da paz na terra.

A era contemporânea findou em misturar e compartilhar essas histórias. Não é engano afirmar, contudo, que os ingleses, alemães e países nórdicos foram responsáveis por originar as histórias mais famosas, demarcando, assim, muito do que os países americanos entendem de natal.

Histórias do natal frio e nevado do hemisfério norte

 
O Quebra Nozes e o Rei dos CamundongosO Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos – Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1816) Traduzida do alemão para o francês por Alexandre Dumas, e transformado em um famoso balé por Tchaikovsky (quem nunca escutou a clássica música da fada açucarada?), conta a história de uma menina que ganha de natal um Quebra-Nozes. Durante a noite, o presente ganha vida para lutar contra o Camundongo Rei e levar a menina para o Reino dos Brinquedos.

A noite antes do Natal – Clement Clarke Moore (1822): Pode-se dizer que foi o conto que inspirou a criação das características atuais que conhecemos do Papai Noel, dentre elas pilotar um trenó puxado por renas voadoras (cada qual com seu nome), entrar nas casas pela chaminé, ser barbudo, roliço e muito simpático. O curto poema conta a história de um menino que presencia a chegada do dito personagem, que lhe deixa vários presentes. A propósito, o fato do bom-velhinho fumar cachimbo não incomodava os pais naquela época.

Um conto de Natal – Charles DickensUm conto de Natal – Charles Dickens (1843): Conto mais clássico de todos e adaptado das mais diversas formas (Disney que o diga!). Narra a história de Scrooge, um homem rabugento, sovina e solitário que odeia o natal, mas recebe a visita de fantasmas que mostrarão os natais do presente, passado e futuro e isso mudará suas atitudes para sempre.

A pequena vendedora de fósforos – Hans Christian Andersen (1845): Uma pobre menina tenta se proteger do frio e vender fósforos na noite de natal. No Brasil, essa história teve sua breve participação na minissérie “Hoje é Dia de Maria” (Rede Globo) na canção “Balada dos três palitos”.

Como o Grinch roubou o Natal – Dr. Seuss (1957): Esse livro de autor americano ficou famoso por dois filmes: o do Jim Carrey e pela cena de Tim Curry  dando uma risada maquiavélica em “Esqueceram de mim 2”. Nessa história, o Grinch, um monstrinho peludo e perverso, odeia o natal e decide acabar com a felicidade natalina da cidade vizinha.
Grinch rindo

Histórias de natal no calor dos trópicos

Elencamos alguns escritores de língua portuguesa que tentaram representar na literatura o desencanto com esta data comemorativa, em que as pessoas perderam o sentido do amor e substituíram pelo consumismo desenfreado, egoísmo e ignorância.

  • Este Natal (1970) – Carlos Drummond de Andrade
  • Compras de Natal (1998) e Natal na Ilha do Nanja (1996) – Cecília Meireles
  • Jingobel, jingobel (1996) – João Ubaldo Ribeiro
  • O verdadeiro Natal – Cordel – Mestre Azulão
  • Um Grinch de Natal – Bruno Eleres (2015): Esse conto especialmente brasileiro relembra os verdadeiros significados do Natal, à luz de personagens clássicos, como o lendário Papai Noel e o demoníaco Grinch. Nessa história, Paulo era uma criança péssima, mas ao chegar à fase adulta – e confrontar-se com os problemas da vida – sofre uma lição por meio de uma visita inesperada na noite de Natal. Você pode adquirir esse conto aqui.

Gloria in Excelsis Deo!

Conheça (ou relembre) o natal como tema de outras linguagens.

Campanhas publicitárias

Campanha Coca Cola Christmas (1997)

Campanha de roupas Marks & Spencer (2013)

Animação – O estranho mundo de Jack (1993)

Filmes

  • Esqueceram de mim (1990)
  • Milagre na Rua 34 (1994)
  • O Grinch (2000)
  • Edward Mãos de Tesoura (1990)
  • Gremlins (1984)

Filmes Clássicos de Natal

Pinturas e ilustrações

  • Norman Rockwell (1894-1978)
  • Thomas Nast (1840-1902).

Curiosidade

Famoso por pintar um clichê atrás do outro da vida norte-americana dos meados do século XX, o artista e ilustrador Norman Rockwell virou sinônimo de natal, principalmente por criar as capas do Saturday Evening Post e outras revistas de dezembro. Para a icônica imagem do Papai Noel, Rockwell se baseou na ilustração de um cartunista alemão, Thomas Nast (revista Harper’s Weeklys, 1886), o verdadeiro criador da imagem atual do bom velhinho, que, por sua vez, havia se inspirado no poema de Clement Clarke Moore (1822).

Pinturas papai noel Norman Rockwell

 

E aí, conhece alguma dessas histórias? Esquecemos de alguma? Deixa sua sugestão nos comentários. 🙂

Um Grinch de Natal


Bruno Rodrigues

nasceu em Belém do Pará em 1989. É formado em publicidade (UFPA) e mestre em Design de Hipermídia (UFSC). Quando criança, leu muitas HQs e sonhava em ser desenhista. Aos 15 anos resolveu ser escritor. Em 2010 auto publicou seu primeiro romance da série Barbolandia. Fundou a Editora Barbohouse com intuito de publicar histórias de autores estreantes. Trabalha para tornar os livros digitais mais populares e que gerem impacto positivo na vida das pessoas.

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