Aumentar o hábito de leitura de alunos é um desafio para muitos professores, principalmente diante de tantas tecnologias que parecem ser mais sedutoras do que um simples livro. E não adianta nem obrigar o aluno a ler um Machado de Assis, pois quando uma atividade vira obrigação, sabemos que o processo de ensino-aprendizagem vai por água abaixo. Mas se as novidades da internet, das redes sociais e das novas tecnologias estão tirando a atenção dos alunos, por que não trazê-las para a sala de aula e utilizá-las como elementos mediadores da educação?

Pensando nisso, fomos em duas escolas públicas com objetivo de realizar um bate-papo literário com crianças e adolescentes, com o tema “criando o hábito de leitura na era digital”, ou seja, como as redes sociais e outros recursos da internet podem cultivar esse hábito. De antemão, mostramos que o universo das narrativas é muito maior do que eles pensam e está presente em diversos lugares comuns, como nas propagandas, nos ditados populares, nas fanpages do Facebook, em jogos digitais, histórias em quadrinhos etc. Sendo assim, todos convivemos diariamente com narrativas e podemos usar as redes sociais, por exemplo, para fomentar a leitura e a escrita.

 

1- Resenhas de livros em vídeo no Youtube.

Já existem vários canais no Youtube de jovens que opinam sobre livros que leram, a partir de videos despojados onde usam uma linguagem muito amigável. Eles se tornam formadores de opinião e as próprias editoras enviam amostras de obras para eles. Você pode usar esse fenômeno na sala de aula, ao criar um canal no Youtube da sua turma e estimular seus alunos a gravar vídeos sobre os livros que leram em sala. Assim, será utilizada uma rede social muito popular e os estudantes vão trabalhar com a desinibição, a comunicação e despertar o senso crítico e a capacidade de opinar.

Exemplos de canais de resenha de livros: Cabine Literária, Minha Estante e Folhetim Felino.

 

2- Publicar uma história colaborativa no Twitter.

Você sabia que existem romances inteiros escritos e pensados para o Twitter? São as TwitterFiction. A rede social permite apenas 140 caracteres por post e esse é o desafio do usuário: posts rápidos e de maior frequência. Foi suporte, por exemplo, para a ficção policial de uma escritora norte americana, @ElliottHolt’s. Ela criou diferentes perfis na rede social, um para cada personagem. A história começa com a narrativa da autora e as falas dos personagens são sempre postagens dos seus respectivos perfis.

Em sala de aula, os alunos podem criar uma história onde cada linha tenha apenas 140 caracteres. Será criado um perfil principal do narrador e outros para os personagens. O professor e os alunos podem postar um capítulo diferente por dia. A história poderá ser divulgada e acompanhada por toda a escola.

 

3 – Publicar uma história colaborativa no Wattpad.

O Wattpad é uma das maiores redes sociais gratuitas de autopublicação de livros online no mundo. Aqui a sugestão é parecida com a do Twitter, contudo, existe apenas um perfil que publica. O diferencial está na possibilidade de gerar fãs, mostrar o número de leituras, escrever comentários e compartilhar em diversas outras redes sociais. Uma boa ideia é criar uma fanfiction, ou seja, uma história baseada em um livro clássico que seus alunos leram e de repente pensaram com um final diferente.

 

4 – Criar um grupo de discussão no Facebook.

Grupos de discussão são muito populares e o Facebook está cheio deles. Por que não criar um com sua sala de aula e levantar discussões sobre as últimas leituras feitas? Você pode adicionar perguntas e respostas, publicar documentos, postar fotos e videos, enfim, gerar discussões relevantes e instigar o debate. Também pode ser a rede oficial de um grupo de leitura já existente.

 

5 – Criar um grupo de discussão no Whatsapp.

Aqui temos uma ideia mais ousada, em que um grupo no Whatsapp seja palco exclusivo para discussão literária, porém, quando o aluno estiver fora da escola. Ocorreriam postagens sobre curiosidades em relação a obra trabalhada, datas de reuniões do grupo, fotos do último encontro, enfim, vai da criatividade do professor em manejar esse tipo de recurso para que a discussão não se perca em outros assuntos, e se possa recapitular, resumir, comparar opiniões, confrontar e analisar a participação dos jovens em relação à leitura.

Adotar essas cinco dicas em sala de aula, de maneira equilibrada, contribui tanto para que o próprio educador se atualize, como também torna a aula mais criativa, assim possibilitando uma empatia maior do aluno com os processos de escrita e leitura.

 

O que achou da matéria? Deixe seu comentário.

 

Categorias: Leitura

Bruno Rodrigues

nasceu em Belém do Pará em 1989. É formado em publicidade (UFPA) e mestre em Design de Hipermídia (UFSC). Quando criança, leu muitas HQs e sonhava em ser desenhista. Aos 15 anos resolveu ser escritor. Em 2010 auto publicou seu primeiro romance da série Barbolandia. Fundou a Editora Barbohouse com intuito de publicar histórias de autores estreantes. Trabalha para tornar os livros digitais mais populares e que gerem impacto positivo na vida das pessoas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *